O que estamos cultivando?

O que estamos cultivando?

 

Um dos comportamentos mais comuns na sociedade é das pessoas procurarem uma solução pronta ou alguém que resolva os seus problemas.

Não tem problema você procurar pessoas para lhe ajudar, pois todos nós precisamos de ajuda. O que não pode acontecer é esquecermos a premissa básica de que nós temos o poder para resolver nossos problemas, ou ainda, se os problemas são nossos, isto significa que somente nós podemos resolvê-los.

A maioria das pessoas recebem o mesmo tipo de educação desde criança. Basicamente as mesmas informações são aprendidas na escola, uns mais outros menos, mas sempre na mesma estrutura. Dentro de casa, o mesmo acontece, existe um senso comum que permeia grande parte da população e que faz com que a maioria aja de maneira parecida. Aquilo o que não está nesse senso comum é facilmente visto como um tabu ou absurdo, como por exemplo, bater em crianças como parte da educação. Só utilizei deste exemplo para mostrar esse conceito de senso comum que todos nós aplicamos por talvez ter vivido assim ou ouvido outras pessoas falarem, ou mesmo idealizado esta ideia, não importa. Da mesma forma não estou defendendo este tipo de educação nem nenhuma em especial, pois não é este o intuito desta prosa.

O que me pergunto é como podemos criar uma educação fixa que funcione para todos se todos possuem diferenças? Será que essa mesma educação terá igual efeito em todos? E aqueles que não a entenderem, o que acontecerá?

Pensando nesses indivíduos que foram equiparados pela educação, porém cada um assimilou essa conteúdo de forma individual ou particular, como saber as consequências dessa educação (vamos entender educação aqui como algo abrangente, quase uma forma de ver o mundo).

Aprender algo significa muitas vezes, quebrar um conceito que já existe dentro de nós. E sem dúvida deveremos ouvir Sócrates quando ele dizia “só sei que nada sei”, pois manter a mente aberta a possibilidade de estar errado é a premissa básica para aprender algo novo.

Muitas pessoas provavelmente deixaram alguma coisa que era importante para elas serem suprimidas pela educação forçada. E o tipo de informação perdida comumente é de aspecto emocional ou algo parecido com intuitiva. Então nós crescemos e começamos a ter problemas nesta área, e o que acontece? Oras, se não sabemos resolver um problema de matemática na prova de matemática, a coisa não sai legal certo? Há sofrimento. Então sofremos uma montanha inteira de sofrimento pois temos que aprender a lidar com este assunto que é novo. E pior, muitas vezes nesse momento nós já temos outras coisas na cabeça que acreditamos serem o certo a fazer, talvez porque fomos educados assim, então deixamos de ficar atento ao problema para correr atrás de trabalho, companhia, dinheiro, projetos de vida, sabe, todas aquelas coisas de alguém “bem sucedido”.

Se talvez mudássemos neste momento nossa forma de agir, e isso não implica largar emprego, ou qualquer atitude considerada radical, provavelmente seriamos mais felizes e igualmente bem sucedidos nesses aspectos que citei anteriormente. Essa mudança seria uma mudança de habito, e para mudar hábitos é necessário disciplina.

Nosso corpo e mente possui uma espécie de piloto automático, que entra em uma inércia danada para qualquer coisa que estejamos fazendo. Se nos movimentamos muito, física ou mentalmente, ele não conseguirá ficar parado, se ficarmos parado ele não conseguirá entrar em movimento, se acreditamos que precisamos produzir ele não conseguira ser improdutivo, se comemos errado, vai achar a salada ruim demais, se comermos só salada qualquer coisa é indigesta, e assim por diante.

É imenso o numero de pessoas que tem dificuldade de relaxar, ficar sem fazer nada, ficar sem energia elétrica, sem celular, entre outros, manifestando inquietação ou nervosismo com a situação. Mas é óbvio que isto acontecerá pois raramente nós CULTIVAMOS esse tipo de momento. Normalmente se temos em nossa mente que É preciso trabalhar, estar em atividade ou acreditar que não estar conectado irá lhe trazer algum problema em qualquer esfera seja social, profissional, etc, e estimulamos isto durante anos, inevitavelmente será difícil parar para apreciar o silêncio reconfortante. Muitas vezes temos o pensamento equivocado que temos que “ganhar a vida” para desfruta-lá depois. E na verdade toda a vez que você deixa de viver a vida para conseguir algo X, você já está perdendo-a.

Quem nunca se emocionou ao ver uma flor, não se emocionará nas primeiras vezes que parar para repara-la.

Necessário é estimular hoje aquilo que nós queremos.

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